quinta-feira, 18 de junho de 2009

NÃO VOS CONFORMEIS COM ESSE MUNDO


Aversão ao mundo

Romanos 12. 2

"E não vos conformeis com esse mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente para que experimenteis qual seja boa, agradável e perfeita vontade de Deus".

O entendimento que temos da palavra de Deus determina que tipo de cristãos nós somos. Cada cristão é responsável por examinar e interpretar as escrituras da maneira mais sincera, equilibrada e coerente possível.

Por ter uma educação cristã desde a infância ouvi diversos pregadores e diversas pessoas interpretando e usando esse texto de várias maneiras e para satisfazer os mais variados objetivos. Uma das interpretações mais freqüentes desse texto era e ainda é, a que afirma que "não conformar-se com o mundo" tem a ver com não usar determinado tipo de roupas, não ouvir as mesmas músicas ou estilos musicais e não freqüentar os mesmos lugares, as mesmas festas que os não cristãos freqüentam. Em suma, não conformar-se com o mundo é viver em um estado de completa aversão às coisas consideradas "do mundo".

Porém, “não conformar-se" é algo muito mais profundo que isso. O Senhor Jesus em sua oração sacerdotal (Jo. 17) pede para que o Pai não livre os seus discípulos do mundo, mas que os livre de suas influências malignas (v. 15).

Não se conformar com o mundo tem muito mais a ver com o entendimento, com a mente do que com o envolvimento com as "coisas do mundo", pois isso é inevitável. Nós vivemos nesse mundo e seríamos hipócritas se não admitíssemos que nos envolvemos e por vezes somos influenciados por ele.

Não conformar-se com o mundo é não compactuar, não ter os mesmos valores, padrões e conceitos que essa sociedade corrompida ideológica e moralmente nos apresenta como ideais.

Sejamos mais práticos:

Na sociedade atual o indivíduo é valorizado pelo que ele tem e não pelo que ele é, seu caráter, valores e conhecimento. E infelizmente nós cristãos nos conformamos com esse conceito e algumas igrejas são controladas por pessoas que alcançaram um determinado patamar em termos financeiros, ou que possuem status social e que por isso são ouvidas e respeitadas em detrimento dos menos favorecidos que, apesar de possuírem a "mente de Cristo", tendo sinceridade e amor em seus corações, são menosprezados no ambiente eclesiástico.

O mundo em que vivemos é altamente competitivo, insensível e individualista. Somos divididos em classes sociais, vivemos num contexto em que o nosso vizinho, nosso amigo de infância se torna o nosso rival na busca por uma vaga em um concurso público ou uma cadeira na faculdade. As necessidades dos que estão ao nosso redor já não nos comovem mais, cada um cada um cuida dos seus próprios interesses e ponto final. E nesse sentido a igreja também tem se conformado com o mundo, somos sectaristas, criamos "partidos", grupos que não cooperam entre si nem tão pouco se relacionam, Agimos, nos envolvemos e empenhamos todas as nossas forças na execução de um cargo ou de uma tarefa que passa a ser a razão da nossa vida como cristão e que nada nem ninguém pode impedir-nos ou tirar-nos desse cargo, pois caso isso aconteça, não há razão para continuarmos na comunhão da igreja. Cuidamos dos nossos interesses e por vezes auxiliamos alguns, desde que nosso trabalho, departamento ou organização não seja prejudicado, afinal de contas a "Lei de Gérson" precisa ser cumprida.

A sociedade atual prioriza emoções sem compromisso. Basta observarmos como são os relacionamentos afetivos atuais que estenderemos o conceito desse século: O importante é viver a emoção de conhecer pessoas novas, de beijá-las sem ao menos conhecê-las, relacionar-se sexualmente sem nenhum tipo de comprometimento. Até mesmo os casamentos se tornaram uma grande aventura, um sonho, um fetiche sem nenhum compromisso de cumprir a promessa do "até que a morte os separe".

Atualmente as sensações, as emoções estão sobrepondo à consciência e isso se reflete em nossos cultos. O que arrebata multidões atualmente é a emoção produzida por pregadores sensacionalistas ou exorcistas, por músicos "extremamente apaixonados", e por servos de Deus "Cheios das unções" e que transformam seus cultos em "talk shows", em exibições, terapias de grupo ou até mesmo num "circo dos horrores", mas que o compromisso com a Palavra de Deus e com o Deus da Palavra é totalmente esquecido. Nossas igrejas não podem ser ambientes nos quais é proibido ter um raciocínio lógico, analítico, onde tudo que é dito cantado, "ministrado" e "profetizado" é engolido sem ser examinado "para ver se essas coisas são assim" (At. 17. 11).

A sociedade atual valoriza a quantidade e não a qualidade. Quanto mais, melhor. E isso vem desde a concepção da qualidade do nosso ensino fundamental, em que a escola "forte" é a que possui o maior número de disciplinas, gerando uma sobrecarga no aluno e comprometendo a gestão dos conhecimentos adquiridos até as nossas faculdades que viraram verdadeiros caça-níqueis. Quantos mil jovens se formam por ano e não conseguem se expressar em público, não sabem escrever corretamente e estão completamente despreparados para o mercado de trabalho?

Nossas igrejas também têm embarcado nessa. Quanto mais gente nos cultos melhor! Quanto mais membros tem a igreja, mais "abençoada" e "poderosa" ela é, mesmo que ela esteja cheia de pessoas manipuladas e que nunca saíram do be-a-ba espiritual.

Isso sem falar na politicagem, fofocas e entrigas que são assimiladas e trazidas para o seio da igreja como uma coisa normal um recurso, para contornar situações ou destituir determinadas pessoas de seus cargos.

Se todo problema da Igreja do Senhor fossem as roupas, os estilos musicais ou as festas que freqüentamos ou deixamos de freqüentar bastaria nos isolarmos, criando nossas grifes, nossas gravadoras, nossos clubes, nossas escolas e igrejas em uma sociedade alternativa completamente à parte do "mundo". Porém nós não fomos chamados para isso, nós somos "chamados para fora", somos chamados para influenciar, para sermos agentes de mudança de conceitos e de vidas.

A solução é a renovação do nosso entendimento, da nossa mente, pois aí sim experimentaremos a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.

A qualidade do ensino e do conhecimento sempre foram valorizados por Jesus. O servo de Deus precisa estudar, precisa atualizar-se, precisa saber qual é o pensamento atual, o que ouvem, o que pensam, o que discutem as mentes do seu tempo, para que possam, com base na palavra de Deus apresentar os verdadeiros valores que devem nortear as nossas vidas.

Com amor.

Pr. Paulinho

Pr. Paulo Roberto é membro da Igreja Batista do Parque São Basílio e dirige a Missão Batista no Arnaldo Eugênio em Campo Grande

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