
Máscaras, por que não me ensinas
a ser eu como tu és
a ter eu ligeiros pés
que cobrem aquilo que se aproxima
vivo uma arte inoperante
de cadar ser de mim diferente
triste, alegre, áureo, descontente
um mudar vil e constante
mas quem pode dizer duplo eu ser
sem ter provado de mim comigo
e ver que ter somente um abrigo
é de si todo dia morrer
então que odes cantem o meu sono
de mim quando outro me torno
e a minha eleição alheia adorno
sem perceber que nisso me abandono
se hoje eu padecer chamem como quiserem
as minhas sôfregas agruras
porque fui eu todas as criaturas
que meus tristes silêncios esquecem
E.J. Silva
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